quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Daqui a vinte anos

*Nota¹: Essa é uma crônica que eu fiz para um teste em uma telenovela, cuja atriz, infelizmente, não foi selecionada, mas, como eu gostei bastante do resultado, sempre quis que ele fosse publicado.

  Eu nunca me importei com garotos. Euzinha? Enquanto as meninas da minha sala ficavam cochichando, rindo e apontando pros mais bonitinhos na aula de Ed. Fisica, eu tava nem aí, jogando bola e correndo pelos cantos, imaginava que daqui a vinte anos, quando todos estivessem casados, olhando pras caras dos maridos e maridas de saco cheio um do outro, eu ia estar em Paris rindo á toa e comendo tudo o que eu quisesse. 
  Mas isso foi antes. Tá, pera, deixa eu começar do começo que já tá ficando confuso. Lembro como se fosse ontem daquele lindo dia de sol, eu sei que você vai falar que tava chovendo, mas você é um babaca retardado que não sabe de nada, ao contrario de mim. Enfim, naquele dia, a professora teve a brilhante ideia de juntar a nossa sala com os pirralhos da oitava, serio meu? que ideia mais imbecil, nós, no auge do segundo ano - quase podendo dirigir - tendo que dividir a quadra de cri-an-ças
   E de todas elas, você era o mais criança, o mais baixinho, o com mais cara de "ai por favor, me joguem uma bola na nuca" então, tecnicamente, não foi culpa minha. Tá tudo bem, foi culpa minha, mas eu nunca imaginei que você ia conseguir cair com uma simples bolada e quebrar o braço. Que tipo de pessoa cai daquele jeito?  Na hora eu achei que ia ser presa, passar os próximos vinte anos quebrando pedra ou sei lá o que fazem na prisão.
  Bom, eu não fui presa, mas a linda da pedagoga nunca ia deixar isso passar batido, Então eu fiquei responsável por levar a sua mala e ajudar você a comer no recreio. Pelo menos eu não era da sua sala, imagina ter de fazer as suas lições? Credo.
  Mas sabe o que era mais estranho? Você não era estranho. Tá, tudo bem que seu óculos te deixavam um pouco vesgo e você faz, um som bem estranho quando ri mas, você era um cara legal. Me ajudou com a lição mesmo sendo de uma turma abaixo e eu achei isso maneiro, e você conseguia jogar videogame com uma mão só e eu achei isso muito maneiro.
  Foi aí que eu vi que nós gostávamos das mesmas coisas, nós dois sabíamos que One Direction era legal e Justin Bieber não. Que pipoca com chocolate combinam daquele jeito e queijo com goiabada não. E no dia em que eu fui te levar no médico pra tirar o gesso eu me peguei chorando na sala de espera porque você não precisaria mais ser meu amigo.
 Só que no outro dia você me chamou pra ir no cinema, me comprou pipoca e refrigerante e quando me pediu em namoro eu engasguei! cuspi o refri no povo de baixo e todo mundo achou que eu tava tendo um treco.
Mas sabe o que era? Eu não conseguia me imaginar em outro lugar daqui a vinte anos do que ao seu lado. Casados, rindo a toa e comendo tudo o que quisesemos em Paris

Tudo novo, de novo.

 Boa noite, eu já tentei me dedicar a um blog antes e ainda não deu certo, mais por minha própria culpa do que por qualquer outra coisa, enfim. Cá estamos eu aqui escrevendo e você, leitor hipotético, lendo.
 Esse blog vai ser dedicado, basicamente, á publicação de: artigos, resenhas, poemas, crônicas, contos e (quem sabe) uma ou outra novela.
 Espero que, seja lá quem for, me acompanhe nessa jornada se não, eu fico falando sozinho  mesmo, sem problema.