Greg abriu os olhos (mas não quis se levantar), olhou o teto lembrando novamente que precisava de uma reforma urgente e novamente, lembrando que não teria dinheiro para tanto.
A forma pequena e curvilínea de Majú ressonava baixinho ao seu lado, escondida embaixo do lençol. Via-se apenas seu cabelo loiro-palha com volumosos cachos. Ela era legal. Quem sabe em outra vida eles até poderiam ter alguma coisa.
Quem sabe em outra vida ele teria feito escolhas certas e não seria um ator fracassado, já vencendo os trinta-e-poucos e ainda fazendo novelinha adolescente e sem nenhum papel digno de nota na carreira.
Já estava cansado. Toda vez que se olhava no espelho percebia uma ruga nova. Em poucos anos até este ganha-pão se extinguiria e ele seria obrigado a voltar para a merda do teatro.
Até que não seria ruim, parando pra pensar. Poucas vezes tinha se divertido tanto quanto na época em que fazia teatro. Mas isso fora na juventude, quando ainda tinha sonhos e esperança de ser um ator reconhecido ( e famoso), " é apenas provisório, quando for entrevistado, na premiação de melhor ator, no melhor filme, eu vou dizer: comecei no teatro gente, valorizem o teatro!".
Hoje seria apenas um salario de fome e conviver com tantos sonhos não seria nada prudente. No Liceu aonde as pessoas já estava calejadas e resignadas, ainda vinham uns e outros esperando um trampolim para o sucesso. Isso corroía sua alma feito ácido.
E o pior era quando eles conseguiam.
Na temporada passada mesmo, um galãzinho sem talento caiu nas graças do publico e hoje está no horário nobre. Greg tentava não sentir inveja e ficar feliz pelo colega mas era difícil. Sentia-se mesmo como se estivesse numa areia movediça com boa parte do salario gasto em vodka e maconha pra encarar o dia-a-dia.
Por essas e outras gostava de Majú. Tinha talento, tinha futuro mas não ficava esfregando isso em sua cara. Gostaria de ter coragem de se declarar pra ela. Mas seria burrice, uma coisa é ser um lancinho, uma diversão depois do trabalho, companhia divertida pro happy hour; Outra bem diferente era ser um namorado sem futuro.
Mas estava cada vez mais difícil disfarçar. Ela achava que ele dava em cima de todo mundo, afinal estavam ali para se divertir e de fato, até o ano passado isso seria verdade. Agora não sentia a menor vontade de aturar o papo rola-mole das figurantes e tinha de se segurar para não chama-la toda noite para sua casa. Que cena mais medíocre, apaixonado por uma menina dez anos mais jovem e com medo de se declarar...
- O teto tá interessante?
Foi pego tão no flagra em seu devaneio por aqueles dois olhos azuis - tão grandes - surgindo debaixo do emaranhado que era seu cabelo, que não pode evitar um sorriso sincero. (será que ela percebeu?)
- Foi. Tava pensando em pintar um retrato seu nele, tal qual Afrodite
- É mesmo? e o que o senhorio iria achar de uma mulher nua no teto do apê dele?
- Conhecendo ele, era capaz de aumentar o aluguel.
- Hahaha, só você mesmo Greg. Não vale nada.
Espreguiçou-se (tão linda) e olhou no celular.
- Tá cedo, bora dar umazinha antes de sair?
terça-feira, 18 de julho de 2017
terça-feira, 11 de julho de 2017
O Agro é pop
Muito se fala sobre sustentabilidade tanto que, o termo, já é familiar a virtualmente qualquer brasileiro, de Curitiba a Belém, bem como, o desenvolvimento sustentável e sabe-se lá o que esse termo pode implicar.
Toda a sorte de empresas, prefeituras, autarquias, enxeridos e pesquisadores dão corpo à cantinela: "Devemos crescer sem prejudicar o meio ambiente, crescer sem prejudicar o meio ambiente..." praticamente um mantra.
Que fique claro que concordo com tudo isso, porém (ah porém), todo esse discurso pau mole esbarra em um empecilho, ao menos a nível de Brasil: O agronegócio.
(Não quero dar a impressão que seja esse o único problema, mas parece ao menos para mim, o mais gritante).
Têm-se um sem-número de propagandas e artigos: O agro é pop, gera empregos, vocação agraria do Brasil e por aí vai... Temos até a criação de uma quimera natimorta de nome Ecoagronegocio que não poderia ser mais bizarra. Mas por que? Ora, vamos aos dados:
A) Efeito Estufa: 73% dos emissores de CO² do Brasil são feitos via desmatamento e qual a principal razão deste? Acertou quem disse Gado.
Seja para a criação de pasto ou plantio de soja e subsequente feitura de ração. Some-se isto ao fato de serem os gases expelidos pelos bois e vacas mais poluentes que, pasmem, os automóveis.
E não vemos muitas propagandas incentivando a diminuição da carne pra frear a poluição não é mesmo?
B) Desperdício de Agua: Vivemos um problema de seca em varias regiões do Brasil e caro consumidor, a cartilha é a mesma: feche a torneira, banho mais apurado, não lave calçadas, etc, etc.
(Que fique claro que isso tudo ajuda) Mas, nunca é dito que 15.400 Litros de água são gastos para processa um mísero quilo de carne, parece um pouco mais preocupante que seu banho demorado não?
C) Ineficiência: Mas, mas, mas, tudo isso é um mal necessário não é mesmo? precisamos alimentar as criancinhas e blá, blá, blá...
É... Não.
Um boi pesa em média 300 quilos, destes, 200 são aproveitados para a alimentação (usa-se pele e ossos para outros fins) ao fim e ao cabo, noves fora, podemos dizer que um boi poderia alimentar 200 famílias em um dia?
A pecuária brasileira é em sua maioria feita com o boi livre, logo, fazendo uma média básica temos algo em torno de 150 m² usado como pasto para alimentar as tais duzentas famílias. Apenas para efeito de comparação a mesma quantidade de terra se usada para plantar milho produziria XXX e nem é um cultivo dos mais produtivos.
Ou seja, desmatamos e desperdiçamos muito para produzirmos muito pouco, mas deixei o melhor para o final.
D) Agrotóxicos: O agro negócio é AGRO... eles plantam coisas e tal... Sim, plantam e muito. Plantam tanto que não tem como cuidar de pragas tradicionais de uma maneira, digamos tradicional. Solução? Despejar venenos cujos efeitos ainda não são totalmente conhecidos para matar as ditas pragas e de fato, elas morrem. Assim como diversos bichinhos muito importantes para a manutenção do ecossistema, contaminam também o lençol freático, o gado que se alimenta dele e você, pobre leitor(a) que se alimenta tanto de um quanto de outro.
Bem, isto posto, podemos inferir que não se pode falar em desenvolvimento sustentável e defender o agronegócio ao mesmo tempo mas, esse artigo não é de todo apocalíptico. Ofereço soluções:
Em primeiro lugar, a reforma agraria. A mais liberal das reformas. Aquela que os EUA fizeram a duzentos anos atrás, claro que ela sozinha não resolve.
O desmatamento cresce num ritmo acelerado mesmo nos assentamentos logo, precisamos também da agroecologia e do vegetarianismo.
Toda a sorte de empresas, prefeituras, autarquias, enxeridos e pesquisadores dão corpo à cantinela: "Devemos crescer sem prejudicar o meio ambiente, crescer sem prejudicar o meio ambiente..." praticamente um mantra.
Que fique claro que concordo com tudo isso, porém (ah porém), todo esse discurso pau mole esbarra em um empecilho, ao menos a nível de Brasil: O agronegócio.
(Não quero dar a impressão que seja esse o único problema, mas parece ao menos para mim, o mais gritante).
Têm-se um sem-número de propagandas e artigos: O agro é pop, gera empregos, vocação agraria do Brasil e por aí vai... Temos até a criação de uma quimera natimorta de nome Ecoagronegocio que não poderia ser mais bizarra. Mas por que? Ora, vamos aos dados:
A) Efeito Estufa: 73% dos emissores de CO² do Brasil são feitos via desmatamento e qual a principal razão deste? Acertou quem disse Gado.
Seja para a criação de pasto ou plantio de soja e subsequente feitura de ração. Some-se isto ao fato de serem os gases expelidos pelos bois e vacas mais poluentes que, pasmem, os automóveis.
E não vemos muitas propagandas incentivando a diminuição da carne pra frear a poluição não é mesmo?
B) Desperdício de Agua: Vivemos um problema de seca em varias regiões do Brasil e caro consumidor, a cartilha é a mesma: feche a torneira, banho mais apurado, não lave calçadas, etc, etc.
(Que fique claro que isso tudo ajuda) Mas, nunca é dito que 15.400 Litros de água são gastos para processa um mísero quilo de carne, parece um pouco mais preocupante que seu banho demorado não?
C) Ineficiência: Mas, mas, mas, tudo isso é um mal necessário não é mesmo? precisamos alimentar as criancinhas e blá, blá, blá...
É... Não.
Um boi pesa em média 300 quilos, destes, 200 são aproveitados para a alimentação (usa-se pele e ossos para outros fins) ao fim e ao cabo, noves fora, podemos dizer que um boi poderia alimentar 200 famílias em um dia?
A pecuária brasileira é em sua maioria feita com o boi livre, logo, fazendo uma média básica temos algo em torno de 150 m² usado como pasto para alimentar as tais duzentas famílias. Apenas para efeito de comparação a mesma quantidade de terra se usada para plantar milho produziria XXX e nem é um cultivo dos mais produtivos.
Ou seja, desmatamos e desperdiçamos muito para produzirmos muito pouco, mas deixei o melhor para o final.
D) Agrotóxicos: O agro negócio é AGRO... eles plantam coisas e tal... Sim, plantam e muito. Plantam tanto que não tem como cuidar de pragas tradicionais de uma maneira, digamos tradicional. Solução? Despejar venenos cujos efeitos ainda não são totalmente conhecidos para matar as ditas pragas e de fato, elas morrem. Assim como diversos bichinhos muito importantes para a manutenção do ecossistema, contaminam também o lençol freático, o gado que se alimenta dele e você, pobre leitor(a) que se alimenta tanto de um quanto de outro.
Bem, isto posto, podemos inferir que não se pode falar em desenvolvimento sustentável e defender o agronegócio ao mesmo tempo mas, esse artigo não é de todo apocalíptico. Ofereço soluções:
Em primeiro lugar, a reforma agraria. A mais liberal das reformas. Aquela que os EUA fizeram a duzentos anos atrás, claro que ela sozinha não resolve.
O desmatamento cresce num ritmo acelerado mesmo nos assentamentos logo, precisamos também da agroecologia e do vegetarianismo.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Depois de um (relativamente pequeno) inverno
Bom gente, fiquei meio sumido nos últimos tempos mas (dessa vez) não foi por preguiça: meu pc sofreu um tentataiva de afogamento e ficou se recuperando. (ele passa bem mas as letras A,S,Z e W já eram).
Pois bem, chega de lamurias: aqui estou eu com um PC novo pronto para delicia-los com os mais belos escritos que jamais foram produzidos por mim mesmo e, caso alguém pergunte, estive sim escrevendo (não no ritmo que gostaria mas enfim) no caso, a caneta num caderninho porque sim eu me importo muito com vocês.
Ou talvez eu simplesmente goste de escrever, sei lá.
Isto posto, o plano continua o mesmo: Uma crônica, um artigo "serio", um capitulo de novela, um artigo sobre entretenimento, uma crônica... e assim sucessivamente. Nessa ordem, salvo engano. Também estou produzindo um conto que deve ficar pronto até o final do mês, vocês serão os primeiros a saber.
Um adendo: minha meta era um post por semana e bom, estamos na vigésima sétima semana do ano e meu marcador ainda está em cinco então, tentarei (ui) publicar entre duas a três vezes por semana (pelo menos nas férias) pra compensar o tempo perdido. Então amanhã já tem texto novo, no caso um artigo desses mais sérios.
té mais povo 0/
Pois bem, chega de lamurias: aqui estou eu com um PC novo pronto para delicia-los com os mais belos escritos que jamais foram produzidos por mim mesmo e, caso alguém pergunte, estive sim escrevendo (não no ritmo que gostaria mas enfim) no caso, a caneta num caderninho porque sim eu me importo muito com vocês.
Ou talvez eu simplesmente goste de escrever, sei lá.
Isto posto, o plano continua o mesmo: Uma crônica, um artigo "serio", um capitulo de novela, um artigo sobre entretenimento, uma crônica... e assim sucessivamente. Nessa ordem, salvo engano. Também estou produzindo um conto que deve ficar pronto até o final do mês, vocês serão os primeiros a saber.
Um adendo: minha meta era um post por semana e bom, estamos na vigésima sétima semana do ano e meu marcador ainda está em cinco então, tentarei (ui) publicar entre duas a três vezes por semana (pelo menos nas férias) pra compensar o tempo perdido. Então amanhã já tem texto novo, no caso um artigo desses mais sérios.
té mais povo 0/
domingo, 16 de abril de 2017
Lado B
Era hoje. "O" dia. tudo bem que de inicio ele não acreditou. Bruna "A" Bruna, a menina mais bonita da sala, quiça a mais bonita da ala par do D. Pedro, aliás, na opinião dele, ela só não era a mais mais do colégio inteiro por causa da Rayane mas a Rayane nem devia contar porque ela era o modelo e já tinha até aparecido na televisão ( num comercial bem merda de pasta de dente, mas ainda assim era televisão pô!)
Mas a atenção de hoje não era para Ray e sim para a Bruna. Aaaah a Bruna que tinha cheiro de jabuticaba, que fechava os olhos quando ria e era a única ( A única) menina que lia Garm que ele já tinha tido noticia. Ele sentava bem na frente dela então era meio natural que eles conversassem (Oi, me empresta a borracha?; Hoje é dia doze? Serio?; Você entendeu alguma coisa do que o professor falou?;)
Dali um pouco estavam conversando sobre coisas que não do colégio. Quando viu já estava voltando junto com ela depois da aula (mesmo sua casa ficando do outro lado do bairro e ele ter de refazer o caminho todo depois).
Ainda assim ele não desconfiou ou melhor dizendo, não se permitiu desconfiar. Ora, ele era só o Luís o moleque burro que vivia com a canela esfolada de tanto cair de skate, era alto e magro demais e que nunca tinha beijado (mas disso ninguém podia saber).
Mas o Kaká disse e o Bertioga confirmou: Bruna não tirava os olhos dele durante a aula e além disso a Ana tinha ouvido da irmã, que estudava com a irmã da Bruna (Brida? Brenda?), que ela de fato só falava de um Luís quando chegava em casa.
Bem, haviam dois Luízes na sala. Ele e o Frank (diminutivo de Frankstein) que sentava no fundo da sala e não falava com ninguém, então ele achava pouco provável que fosse esse o tal Luís da história. Isto, claro, se esse disse-me-disse fosse verdade.
Mas, caramba, os pontos pareciam mesmo apontar para essa direção. Ele chegou a faltar um dia só pra confirmar que ela perguntaria dele e ela perguntou.
Restava então, um pequeno problema: como ele iria conseguir chegar na segunda-menina-mais-bonita-do-colégio? Só de olhar aqueles olhos grandes ele já ficava com dor de barriga. Tentou escrever um bilhete mas nenhum verso era menos do que um completo lixo. Pensou em usar um amigo como mediador mas não, isso seria humilhante.
Depois de matutar muito com o Kaká, ambos chegaram a conclusão que o melhor lugar era o museu: teriam boas horas para desenrolar um papo; o lugar era ermo, não era nenhum encontro (só pro caso da irmã da Ana ter ouvido errado) e bom, eles teriam vinho então se ela recusasse ele poderia falar que era brincadeira e que estava bêbado ou qualquer merda do gênero...
Tudo preparado, banho tomado, vinho comprado, arremedo de cantada ensaiada, melhor local da grama do museu reservado ( longe da cerca dos maconheiros e longe do museu propriamente dito onde ficam os seguranças) bem embaixo de uma arvore ótima para o sol e para chuva e Ai-Meu-Deus ela ta chegando com a irmã, caralho Kaká o que eu faço?
- Agora bicho? Toma um golão dessa porra e vai na fé.
Me passou a garrafa do melhor vinho que um adolescente sem emprego pode comprar.
- Bom. Seja o que Deus quiser.
Mas a atenção de hoje não era para Ray e sim para a Bruna. Aaaah a Bruna que tinha cheiro de jabuticaba, que fechava os olhos quando ria e era a única ( A única) menina que lia Garm que ele já tinha tido noticia. Ele sentava bem na frente dela então era meio natural que eles conversassem (Oi, me empresta a borracha?; Hoje é dia doze? Serio?; Você entendeu alguma coisa do que o professor falou?;)
Dali um pouco estavam conversando sobre coisas que não do colégio. Quando viu já estava voltando junto com ela depois da aula (mesmo sua casa ficando do outro lado do bairro e ele ter de refazer o caminho todo depois).
Ainda assim ele não desconfiou ou melhor dizendo, não se permitiu desconfiar. Ora, ele era só o Luís o moleque burro que vivia com a canela esfolada de tanto cair de skate, era alto e magro demais e que nunca tinha beijado (mas disso ninguém podia saber).
Mas o Kaká disse e o Bertioga confirmou: Bruna não tirava os olhos dele durante a aula e além disso a Ana tinha ouvido da irmã, que estudava com a irmã da Bruna (Brida? Brenda?), que ela de fato só falava de um Luís quando chegava em casa.
Bem, haviam dois Luízes na sala. Ele e o Frank (diminutivo de Frankstein) que sentava no fundo da sala e não falava com ninguém, então ele achava pouco provável que fosse esse o tal Luís da história. Isto, claro, se esse disse-me-disse fosse verdade.
Mas, caramba, os pontos pareciam mesmo apontar para essa direção. Ele chegou a faltar um dia só pra confirmar que ela perguntaria dele e ela perguntou.
Restava então, um pequeno problema: como ele iria conseguir chegar na segunda-menina-mais-bonita-do-colégio? Só de olhar aqueles olhos grandes ele já ficava com dor de barriga. Tentou escrever um bilhete mas nenhum verso era menos do que um completo lixo. Pensou em usar um amigo como mediador mas não, isso seria humilhante.
Depois de matutar muito com o Kaká, ambos chegaram a conclusão que o melhor lugar era o museu: teriam boas horas para desenrolar um papo; o lugar era ermo, não era nenhum encontro (só pro caso da irmã da Ana ter ouvido errado) e bom, eles teriam vinho então se ela recusasse ele poderia falar que era brincadeira e que estava bêbado ou qualquer merda do gênero...
Tudo preparado, banho tomado, vinho comprado, arremedo de cantada ensaiada, melhor local da grama do museu reservado ( longe da cerca dos maconheiros e longe do museu propriamente dito onde ficam os seguranças) bem embaixo de uma arvore ótima para o sol e para chuva e Ai-Meu-Deus ela ta chegando com a irmã, caralho Kaká o que eu faço?
- Agora bicho? Toma um golão dessa porra e vai na fé.
Me passou a garrafa do melhor vinho que um adolescente sem emprego pode comprar.
- Bom. Seja o que Deus quiser.
domingo, 9 de abril de 2017
E se... Crônocas de Gelo e Fogo fosse um épico? PARTE III Os Targaryen
Tenho de tirar o chapéu pro Martin: Desenvolver minuciosamente uma dinastia de quase três seculos e começar a contar a historia depois da mesma já ter acabado não deve ter sido nada fácil. Não surpreende ele ter escrito o Cavaleiro dos Sete Reinos com os Targaryen no apogeu. Tanto material e tanta anotação precisavam vir a tona em algum momento.
Fãs até já especulam há algum tempo o lançamento do "Georgemarilion" que teria a casa do dragão como pano de fundo. Eu, pessoalmente, só de ver o final das aventuras de Sor Duncan e Egg já me dava por satisfeito...
Bom, chega de enrolar.
Os Targaryen são - aparentemente- a mais bem trabalhada e primorosamente esculpida criação das Cronicas e obvio que isso não é sem um motivo. Daenerys é uma das protagonistas desde o primeiro livro e quem nunca se perguntou se o plot da historia não é justamente ela refazendo a dinastia?
É, pode até ser.
Mas vamos voltar trezentos anos no passado quando Aegon o conquistador desembarcou no que hoje é a fortaleza de Maegor: Nessa época havia somente três dragões em todo mundo (ao menos que se tenha noticia) justamente Balerion, Vaghar e Meraxes trazidos¹ algumas gerações antes por um ancestral de Aegon da Ainda-não-perdida-Valiria.
Pois bem, qualquer leitor de CGF sabe o estrago que dragões podem causar, ainda mais sem outros dragões que lhes façam frente, ora Aegon, Rhaenys e Visenya conquistaram - no espaço de uma geração - seis dos sete reinos com eles!
Aí que reside o "xis" da questão. Na época de Valiria os Targaryen não eram nem de longe uma das famílias mais importantes do império. Vá lá que a decisão de criar um novo no leste longinquo não fosse tão difícil de ser tomada. Mas e depois da perdição? Porque se preocupar com uma Westeros semi-barbara enquanto Essos estava tão a mão (ainda mais com o forte exercito Volantino disposto a fazer aliança com Aegon)?
Simplesmente não faz sentido. Minha teoria, fechando essa trilogia de artigos, é de que Daenys a sonhadora previu não apenas a queda de Valiria mas também o ressurgimento dos outros de forma que, tendo um reino forte logo abaixo da muralha seria possível para-los antes que se tornassem fortes ² a ponto de trazer a longa noite para o mundo todo.
A motivação nesse caso seria a das mais básicas: a quem interessaria viver num mundo completamente desolado?
E bom, se era esse de fato o plano de Aegon, sabemos que deu bem errado. Ou sera que o eminente retorno de Dany não confirmará minhas suspeitas?
1 - Aenar Targaryen trouxe alguns dragões com ele porém todos morreram menos Balerion. Por sorte o mesmo teve dois filhotes: Vhagar e Balerion.
2 - O raciocínio é puramente matemático: quanto mais pessoas os Outros matam maior fica seu exercito logo quanto antes eles forem parados, maiores as chances de sucesso.
Fãs até já especulam há algum tempo o lançamento do "Georgemarilion" que teria a casa do dragão como pano de fundo. Eu, pessoalmente, só de ver o final das aventuras de Sor Duncan e Egg já me dava por satisfeito...
Bom, chega de enrolar.
Os Targaryen são - aparentemente- a mais bem trabalhada e primorosamente esculpida criação das Cronicas e obvio que isso não é sem um motivo. Daenerys é uma das protagonistas desde o primeiro livro e quem nunca se perguntou se o plot da historia não é justamente ela refazendo a dinastia?
É, pode até ser.
Mas vamos voltar trezentos anos no passado quando Aegon o conquistador desembarcou no que hoje é a fortaleza de Maegor: Nessa época havia somente três dragões em todo mundo (ao menos que se tenha noticia) justamente Balerion, Vaghar e Meraxes trazidos¹ algumas gerações antes por um ancestral de Aegon da Ainda-não-perdida-Valiria.
Pois bem, qualquer leitor de CGF sabe o estrago que dragões podem causar, ainda mais sem outros dragões que lhes façam frente, ora Aegon, Rhaenys e Visenya conquistaram - no espaço de uma geração - seis dos sete reinos com eles!
Aí que reside o "xis" da questão. Na época de Valiria os Targaryen não eram nem de longe uma das famílias mais importantes do império. Vá lá que a decisão de criar um novo no leste longinquo não fosse tão difícil de ser tomada. Mas e depois da perdição? Porque se preocupar com uma Westeros semi-barbara enquanto Essos estava tão a mão (ainda mais com o forte exercito Volantino disposto a fazer aliança com Aegon)?
Simplesmente não faz sentido. Minha teoria, fechando essa trilogia de artigos, é de que Daenys a sonhadora previu não apenas a queda de Valiria mas também o ressurgimento dos outros de forma que, tendo um reino forte logo abaixo da muralha seria possível para-los antes que se tornassem fortes ² a ponto de trazer a longa noite para o mundo todo.
A motivação nesse caso seria a das mais básicas: a quem interessaria viver num mundo completamente desolado?
E bom, se era esse de fato o plano de Aegon, sabemos que deu bem errado. Ou sera que o eminente retorno de Dany não confirmará minhas suspeitas?
1 - Aenar Targaryen trouxe alguns dragões com ele porém todos morreram menos Balerion. Por sorte o mesmo teve dois filhotes: Vhagar e Balerion.
2 - O raciocínio é puramente matemático: quanto mais pessoas os Outros matam maior fica seu exercito logo quanto antes eles forem parados, maiores as chances de sucesso.
sábado, 25 de março de 2017
LICEU LICOR I - "MADÁ''
-Muito bem gente hoje vamos estudar sobre o acido desoxirribonucleico. Calma, calma vocês não entraram de grego por engano, esse palavrão é o nosso famoso...
Na terceira fila a partir da mesa do professor, Jú fofoca com Madá:
-Guria falei com aquele gato do bernardo e adivinha só: os pais dele vão viajar nesse fim de semana! Não é magico? Super Super demais?
- Ai meu... Não sei, esse negocio de sair escondido dos pais pode dar problema. E além do mais...
- AHAM! será que se as senhoritas Juliana e Madalena poderiam compartilhar com o resto da classe o que é tão mais importante do que a minha aula?
Momento maravilhoso em que toda a sala as encara com um sorriso amarelo e Madá com seus grandes olhos azuis suplica para Ju "Pelo.Amor.De.Deus.Tira.A.Gente.Daqui".
- Bom 'fessor o que acontece é que a Madá estava me falando sobre a comunidade carente em S.Bernardo e em como seria legal se a sala pudesse fazer uma quermesse para ajudar os pobrezinhos...
- Hum.. É verdade 'fessor, a Ju estava até me sugerindo se o senhor não poderia falar com o Seu Basílio pra fazer uma rifa aqui no Liceu... essas coisas.
- Hum... Hã... Eu? Falar com o Basilisco? Digo... Com o Senhor Diretor Basílio? Bom podemos ver m-mas talvez seja melhor que a iniciativa parta dos próprios alunos não é mesmo? que não podem ser demitidos digo, não... que foram os que tiveram a ideia. Enfim... Olhem só gente o adiantado da hora... voltemos com a aula, mas a ideia é boa meninas... ô se é...
- E Corta! Muito bem pessoal, achei o take perfeito. acho que não vamos precisar de mais nenhum não... Gregorio meu querido, dessa vez foi espetacular a cara de cagaço em? gente só um segundinho que meu celular tá tocando... Alô? Oi Dona Mérida, sim sim, terminamos agora... foi sim... o que? Claro, claro, concordo totalmente, vou avisar os pequenos... Tchau, beijo. Aí meu saco. Certo povo de deus a Dona Merda quer que gravemos mais duas tomadas com a câmera do outro lado para ter um "novo referencial" seja lá o que caralhos isso signifique... Enfim. Dez minutos de pausa pra todo mundo, menos pra mim e pro staff. Juro que ainda mato essa velha...
Já sentadas nas cadeiras junto aos figurantes, Giovana comenta com Marlúcia.
- Porra, mas que cu em? Essa velha é uma filha da puta... já gravamos essa merda umas oito vezes...
- Seis e sim ela é. Mas como nossa produtora ela manda e nós obedecemos. Enfim, vou aproveitar essa nossa maravilhosa pausa pra fumar um cigarro. Quer?
- Hã... Não, valeu... Tô tentando parar.
- Boa sorte.
Marlúcia saiu do set e foi até a praça defronte que servia de fumódromo. Uma das poucas vantagens de se atuar numa serie adolescente que se passa num colégio é a quantidade de cenários campo-aberto que dispunham próximos as salas/ set.
Não gostava do trabalho. O roteiro era uma verdadeira bosta. É o que acontece quando se põe três velhos para se escrever sobre jovens num programa com censura dez anos. Nem de longe se assemelhava aos colégios onde havia estudado e, além do mais três anos de teatro pra isso?
Mas não podia reclamar Liceu passava em todo territorio nacional e tinha boa audiência, com sorte esse papel tosco de Madá a catapultaria para uma novela das seis... ou para um filme do Roberto...
- Opa. Tem fogo?
Interrompida no meio de um devaneio, demorou quase três segundos para reconhecer Gregorio.
- Claro Greg. pega ai.
- Valeu. Nossa essa Dona Merda é foda né?
- Nem me fale. Pensa que é fácil ter de encenar a adolescente bobinha pela sétima vez consecutiva?
- Ha-ha o meu já ta tranquilo. Tô acostumado a fazer professor deve ser essa cara de intelectual que mamãe me deu.
- Só a cara também né Greg?
- Calúnia. Mas sim, tava pensando se depois daqui você não taria afim de ir na minha pra repassar o texto...
- Repassar o texto? Velha essa em? Mas não sei... tecnicamente eu sou uma adolescente e você é meu professor chato de biologia, não me parece certo
- Ah qualé Malu o papo do texto é serio. Eu to tentando dificuldade em decorar esses termos científicos e tal
- Talvez diminuir com a maconha ajude ou melhor dizendo o tetrahidrocanabinol
- Nunca!
- Ha-ha, bom eu acho que vou me arrepender, mas pode ser e... eita o Xexé já ta chamando. Lá vamos nós.
- Lá vamos nós.
Na terceira fila a partir da mesa do professor, Jú fofoca com Madá:
-Guria falei com aquele gato do bernardo e adivinha só: os pais dele vão viajar nesse fim de semana! Não é magico? Super Super demais?
- Ai meu... Não sei, esse negocio de sair escondido dos pais pode dar problema. E além do mais...
- AHAM! será que se as senhoritas Juliana e Madalena poderiam compartilhar com o resto da classe o que é tão mais importante do que a minha aula?
Momento maravilhoso em que toda a sala as encara com um sorriso amarelo e Madá com seus grandes olhos azuis suplica para Ju "Pelo.Amor.De.Deus.Tira.A.Gente.Daqui".
- Bom 'fessor o que acontece é que a Madá estava me falando sobre a comunidade carente em S.Bernardo e em como seria legal se a sala pudesse fazer uma quermesse para ajudar os pobrezinhos...
- Hum.. É verdade 'fessor, a Ju estava até me sugerindo se o senhor não poderia falar com o Seu Basílio pra fazer uma rifa aqui no Liceu... essas coisas.
- Hum... Hã... Eu? Falar com o Basilisco? Digo... Com o Senhor Diretor Basílio? Bom podemos ver m-mas talvez seja melhor que a iniciativa parta dos próprios alunos não é mesmo? que não podem ser demitidos digo, não... que foram os que tiveram a ideia. Enfim... Olhem só gente o adiantado da hora... voltemos com a aula, mas a ideia é boa meninas... ô se é...
- E Corta! Muito bem pessoal, achei o take perfeito. acho que não vamos precisar de mais nenhum não... Gregorio meu querido, dessa vez foi espetacular a cara de cagaço em? gente só um segundinho que meu celular tá tocando... Alô? Oi Dona Mérida, sim sim, terminamos agora... foi sim... o que? Claro, claro, concordo totalmente, vou avisar os pequenos... Tchau, beijo. Aí meu saco. Certo povo de deus a Dona Merda quer que gravemos mais duas tomadas com a câmera do outro lado para ter um "novo referencial" seja lá o que caralhos isso signifique... Enfim. Dez minutos de pausa pra todo mundo, menos pra mim e pro staff. Juro que ainda mato essa velha...
Já sentadas nas cadeiras junto aos figurantes, Giovana comenta com Marlúcia.
- Porra, mas que cu em? Essa velha é uma filha da puta... já gravamos essa merda umas oito vezes...
- Seis e sim ela é. Mas como nossa produtora ela manda e nós obedecemos. Enfim, vou aproveitar essa nossa maravilhosa pausa pra fumar um cigarro. Quer?
- Hã... Não, valeu... Tô tentando parar.
- Boa sorte.
Marlúcia saiu do set e foi até a praça defronte que servia de fumódromo. Uma das poucas vantagens de se atuar numa serie adolescente que se passa num colégio é a quantidade de cenários campo-aberto que dispunham próximos as salas/ set.
Não gostava do trabalho. O roteiro era uma verdadeira bosta. É o que acontece quando se põe três velhos para se escrever sobre jovens num programa com censura dez anos. Nem de longe se assemelhava aos colégios onde havia estudado e, além do mais três anos de teatro pra isso?
Mas não podia reclamar Liceu passava em todo territorio nacional e tinha boa audiência, com sorte esse papel tosco de Madá a catapultaria para uma novela das seis... ou para um filme do Roberto...
- Opa. Tem fogo?
Interrompida no meio de um devaneio, demorou quase três segundos para reconhecer Gregorio.
- Claro Greg. pega ai.
- Valeu. Nossa essa Dona Merda é foda né?
- Nem me fale. Pensa que é fácil ter de encenar a adolescente bobinha pela sétima vez consecutiva?
- Ha-ha o meu já ta tranquilo. Tô acostumado a fazer professor deve ser essa cara de intelectual que mamãe me deu.
- Só a cara também né Greg?
- Calúnia. Mas sim, tava pensando se depois daqui você não taria afim de ir na minha pra repassar o texto...
- Repassar o texto? Velha essa em? Mas não sei... tecnicamente eu sou uma adolescente e você é meu professor chato de biologia, não me parece certo
- Ah qualé Malu o papo do texto é serio. Eu to tentando dificuldade em decorar esses termos científicos e tal
- Talvez diminuir com a maconha ajude ou melhor dizendo o tetrahidrocanabinol
- Nunca!
- Ha-ha, bom eu acho que vou me arrepender, mas pode ser e... eita o Xexé já ta chamando. Lá vamos nós.
- Lá vamos nós.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
A história é imortal
A
história é imortal. Mesmo após todos os conflitos e perturbações que sucederam
a queda do império romano ocidental e a conseqüente perda de “interesse” da
sociedade européia pelo passado, a história continuou viva nos costumes,
tradições e nas técnicas.
Isto posto, é engano pensar que não houve, no
medievo, nenhuma pesquisa ou preservação de dados históricos. A igreja católica
manteve diversos escritos romanos por meio de seus monges copistas e produziu
intelectuais de suma importância como Santo Agostinho e Tomás de Aquino que bebiam
da filosofia Greco-romana. Obviamente, estes textos em latim, além de
suprimirem partes que pudessem vir a ser tomadas como heréticas não eram facilmente
acessíveis para a polução não clerical. Não deve ser descartada também a
importância do Império Bizântino em preservar diversos documentos em grego bem
como dos povos árabes sem os quais inúmeros filósofos jamais teriam chego até
nós.
Porém, ainda que houvesse esta “subsistência
histórica” ela convalescia, sobretudo na Europa. Monumentos históricos eram
tidos apenas como parte da paisagem ou fonte de matéria prima para novas
construções. A doutrina cristã que era então virtualmente incontestável, trazia
uma sensação de imutabilidade do tempo e das coisas que pode ser facilmente
observada nas representações de acontecimentos antigos (sobretudo bíblicos) em
que, por mais que os atores estivessem deslocados temporal e geograficamente
eram mostrados nos trajes e costumes medievais.
A
mudança paradigmática só veio ocorrer no séc XII, no chamado renascimento. Aonde
a busca por um conhecimento não conspurcado pela igreja pôs o período anterior
a ela em foco. Autores foram reeditados e voltaram a influenciar mentes na
Europa. Não é errôneo pensar que filósofos renascentistas que hoje formam o
pensamento ocidental não teriam o mesmo êxito sem os antigos. Infelizmente, esta
pesquisa e análise da antiguidade gerou-se a falsa impressão que o período
imediatamente anterior foi puramente anti-intelectual e obscuro, o termo “idade
das trevas” veio dessa época e mesmo nos dias de hoje ainda encontra eco.
Não devemos supor que uma historiografia
surgiu do renascimento como num passe de mágica. O profundo respeito pelos
textos em grego e latim, bem como pelas sagradas escrituras impossibilitavam
uma visão crítica dos documentos apresentados gerando o conceito de que a fonte
contêm a verdade absoluta e de que a história é feita apenas por grandes
figuras o que não poderia ser mais errôneo.
Um produção historiográfica mais acurada só
viria a ocorrer séculos mais tarde no iluminismo e mesmo esta carecia do rigor
hoje imprescindível para a produção de qualquer texto histórico, o anacronismo era
freqüente, sobretudo pela busca européia de encontrar no passado as bases de
sua formação nacional, porém ainda que com estas falhas tais textos não devem
ser descartados visto que demonstram o estudo mais preciso que se poderia ter
naquelas circustâncias
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Lado A
Bruna e Brenda eram irmãs e disso ninguém jamais duvidaria. Poderiam ser facilmente tomadas por gêmeas, apesar dos três anos que separavam as datas de seus nascimentos. A pouca diferença de idade fazia com que fossem verdadeiras parceiras de crime e como tal, inseparáveis. Já haviam rido e chorado juntas, brigaram e reataram incontáveis vezes, compartilharam segredos e inimigos, beberam, vomitaram e cuidaram uma da outra.
Como qualquer adolescente saudável as duas não queriam saber de muita coisa além de curtição. Mesmo com Brenda sendo levemente pressionada pelo pai para escolher qual a curso iria definir o resto de sua vida e Bruna estar castigo pela nota medíocre que tirou em Química.
Como qualquer adolescente saudável as duas não queriam saber de muita coisa além de curtição. Mesmo com Brenda sendo levemente pressionada pelo pai para escolher qual a curso iria definir o resto de sua vida e Bruna estar castigo pela nota medíocre que tirou em Química.
Mas isso não importava. Não hoje. Era domingo e o garoto do colégio que a caçula vinha flertando havia séculos estava no parque com os seus amigos imbecis e ele tinha dito que seria legal se elas fossem. Claro que foi um código para: "Gata, eu sou burro e tímido mas quem sabe com um pouco de vinho na cabeça eu tomo coragem e nós nos pegamos, bora?". O horário marcado, dois dias antes, foi as duas da tarde o que dava as duas mais três horas para conseguir colocar o plano de fuga em prática.
Não que Brenda estivesse super empolgada com o namorico da irmã aliás, hipotético namorico da irmã mas, com toda essa merda de vestibular até que seria bom sair pra espairecer um pouco e quem sabe, com sorte, ela também podia conhecer alguém legal.
Sair era problema. Seu Carlos estava na sala assistindo televisão bem de frente para a unica porta da casa. As irmãs até cogitavam que o pai era o ultimo dos telespectadores nesse mundo frenético de internet banda larga, um incansável bastião da péssima programação dominical brasileira. O plano foi o de pular a janela do quarto, engatinhar sorrateiramente pelo quintal para não serem vistas da janela, contar com a sorte da vizinha fofoqueira não estar debruçada no portão no momento em que pulavam o muro e correr feito duas loucas até o ponto de ônibus, três ruas a frente.
As duas concordaram que o risco do pai querer, a qualquer momento dar uma visita no quarto pra ver se estavam vivas era extremamente alto. Bruna confiava em poder dobrá-lo com um acordo de não sair mais de casa nos próximos quarenta anos, tirando apenas notas dez em todas as matérias possíveis e imagináveis e a irmã poderia se safar colocando a culpa nela afinal, era de fato culpa dela.
Valia a pena. Luís não era apenas um gato que andava de skate, tinha um sorriso lindo e sabia tocar violão. Ele era inteligente quase tanto quanto uma garota, gostava dos mesmos livros que ela e das mesmas séries também. Podiam conversar sobre qualquer coisa e assunto nunca acabava e também ele não fedia como todos os outros garotos da sala. Ou seja, um verdadeiro achado.
Apesar da mais velha ter ralado o cotovelo caindo do muro, deu tudo certo. Dona Neves não estava vigiando a vizinhança (talvez até ela precisasse ir no banheiro de vez em quando) e agora o parque já apontava no horizonte, pela janela do ônibus. Um pequeno oásis verde em meio a selva de concreto.
- Mana, sério se aquela toupeira não falar contigo eu juro que bato nele. Onde já se viu. Vocês tão a quanto tempo nesse chove não molha?
- Para pô, ele é só meio lento.
- Que bom que é meio, se fosse inteiro ele se declarava pra você no asilo.
- Não exagera também né, aliás nem sei se ele gosta mesmo de mim. Sei lá, as vezes ele só quer seu meu amigo mesmo e eu to aqui, arrastando um bonde a toa.
- Se for mesmo isso, aí sim que eu bato nele. Ser lento passa agora idiota desse jeito é até pecado.
- Para! Olha ele ali acenando pra gente. Seja o que Deus quiser.
- Amém, guria, amém.
- Mana, sério se aquela toupeira não falar contigo eu juro que bato nele. Onde já se viu. Vocês tão a quanto tempo nesse chove não molha?
- Para pô, ele é só meio lento.
- Que bom que é meio, se fosse inteiro ele se declarava pra você no asilo.
- Não exagera também né, aliás nem sei se ele gosta mesmo de mim. Sei lá, as vezes ele só quer seu meu amigo mesmo e eu to aqui, arrastando um bonde a toa.
- Se for mesmo isso, aí sim que eu bato nele. Ser lento passa agora idiota desse jeito é até pecado.
- Para! Olha ele ali acenando pra gente. Seja o que Deus quiser.
- Amém, guria, amém.
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