domingo, 16 de abril de 2017

Lado B

Era hoje. "O" dia. tudo bem que de inicio ele não acreditou. Bruna "A" Bruna, a menina mais bonita da sala, quiça a mais bonita da ala par do D. Pedro, aliás, na opinião dele, ela só não era a mais mais do colégio inteiro por causa da Rayane mas a Rayane nem devia contar porque ela era o modelo e já tinha até aparecido na televisão ( num comercial bem merda de pasta de dente, mas ainda assim era televisão pô!)
 Mas a atenção de hoje não era para Ray e sim para a Bruna. Aaaah a Bruna que tinha cheiro de jabuticaba, que fechava os olhos quando ria e era a única ( A única) menina que lia Garm que ele já tinha tido noticia. Ele sentava bem na frente dela então era meio natural que eles conversassem (Oi, me empresta a borracha?; Hoje é dia doze? Serio?; Você entendeu alguma coisa do que o professor falou?;)
  Dali um pouco estavam conversando sobre coisas que não do colégio. Quando viu já estava voltando junto com ela depois da aula (mesmo sua casa ficando do outro lado do bairro e ele ter de refazer o caminho todo depois).
  Ainda assim ele não desconfiou ou melhor dizendo, não se permitiu desconfiar. Ora, ele era só o Luís o moleque burro que vivia com a canela esfolada de tanto cair de skate, era alto e magro demais e que nunca tinha beijado (mas disso ninguém podia saber).
  Mas o Kaká disse e o Bertioga confirmou: Bruna não tirava os olhos dele durante a aula e além disso a Ana tinha ouvido da irmã, que estudava com a irmã da Bruna (Brida? Brenda?), que ela de fato só falava de um Luís quando chegava em casa.
  Bem, haviam dois Luízes na sala. Ele e o Frank (diminutivo de Frankstein) que sentava no fundo da sala e não falava com ninguém, então ele achava pouco provável que fosse esse o tal Luís da história. Isto, claro, se esse disse-me-disse fosse verdade.
  Mas, caramba, os pontos pareciam mesmo apontar para essa direção. Ele chegou a faltar um dia só pra confirmar que ela perguntaria dele e ela perguntou.
  Restava então, um pequeno problema: como ele iria conseguir chegar na segunda-menina-mais-bonita-do-colégio? Só de olhar aqueles olhos grandes ele já ficava com dor de barriga. Tentou escrever um bilhete mas nenhum verso era menos do que um completo lixo. Pensou em usar um amigo como mediador mas não, isso seria humilhante.
  Depois de matutar muito com o Kaká, ambos chegaram a conclusão que o melhor lugar era o museu: teriam boas horas para desenrolar um papo; o lugar era ermo, não era nenhum encontro (só pro caso da irmã da Ana ter ouvido errado) e bom, eles teriam vinho então se ela recusasse ele poderia falar que era brincadeira e que estava bêbado ou qualquer merda do gênero...
  Tudo preparado, banho tomado, vinho comprado, arremedo de cantada ensaiada, melhor local da grama do museu reservado ( longe da cerca dos maconheiros e longe do museu propriamente dito onde ficam os seguranças) bem embaixo de uma arvore ótima para o sol e para chuva e Ai-Meu-Deus ela ta chegando com a irmã, caralho Kaká o que eu faço?
  - Agora bicho? Toma um golão dessa porra e vai na fé.
 Me passou a garrafa do melhor vinho que um adolescente sem emprego pode comprar.
  - Bom. Seja o que Deus quiser.

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