terça-feira, 18 de julho de 2017

LICEU LICOR II - GREG

Greg abriu os olhos (mas não quis se levantar), olhou o teto lembrando novamente que precisava de uma reforma urgente e novamente, lembrando que não teria dinheiro para tanto.
 A forma pequena e curvilínea de Majú ressonava baixinho ao seu lado, escondida embaixo do lençol. Via-se apenas seu cabelo loiro-palha com volumosos cachos. Ela era legal. Quem sabe em outra vida eles até poderiam ter alguma coisa.
 Quem sabe em outra vida ele teria feito escolhas certas e não seria um ator fracassado, já vencendo os trinta-e-poucos e ainda fazendo novelinha adolescente e sem nenhum papel digno de nota na carreira.
 Já estava cansado. Toda vez que se olhava no espelho percebia uma ruga nova. Em poucos anos até este ganha-pão se extinguiria e ele seria obrigado a voltar para a merda do teatro.
 Até que não seria ruim, parando pra pensar. Poucas vezes tinha se divertido tanto quanto na época em que fazia teatro. Mas isso fora na juventude, quando ainda tinha sonhos e esperança de ser um ator reconhecido ( e famoso), " é apenas provisório, quando for entrevistado, na premiação de melhor ator, no melhor filme, eu vou dizer: comecei no teatro gente, valorizem o teatro!".
 Hoje seria apenas um salario de fome e conviver com tantos sonhos não seria nada prudente. No Liceu aonde as pessoas já estava calejadas e resignadas, ainda vinham uns e outros esperando um trampolim para o sucesso. Isso corroía sua alma feito ácido.
  E o pior era quando eles conseguiam.
 Na temporada passada mesmo, um galãzinho sem talento caiu nas graças do publico e hoje está no horário nobre. Greg tentava não sentir inveja e ficar feliz pelo colega mas era difícil. Sentia-se mesmo como se estivesse numa areia movediça com boa parte do salario gasto em vodka e maconha pra encarar o dia-a-dia.
 Por essas e outras gostava de Majú. Tinha talento, tinha futuro mas não ficava esfregando isso em sua cara. Gostaria de ter coragem de se declarar pra ela. Mas seria burrice, uma coisa é ser um lancinho, uma diversão depois do trabalho, companhia divertida pro happy hour; Outra bem diferente era ser um namorado sem futuro.
 Mas estava cada vez mais difícil disfarçar. Ela achava que ele dava em cima de todo mundo, afinal estavam ali para se divertir e de fato, até o ano passado isso seria verdade. Agora não sentia a menor vontade de aturar o papo rola-mole das figurantes e tinha de se segurar para não chama-la toda noite para sua casa. Que cena mais medíocre, apaixonado por uma menina dez anos mais jovem e com medo de se declarar...
  - O teto tá interessante?
 Foi pego tão no flagra em seu devaneio por aqueles dois olhos azuis - tão grandes - surgindo debaixo do emaranhado que era seu cabelo, que não pode evitar um sorriso sincero. (será que ela percebeu?)
- Foi. Tava pensando em pintar um retrato seu nele, tal qual Afrodite
- É mesmo? e o que o senhorio iria achar de uma mulher nua no teto do apê dele?
- Conhecendo ele, era capaz de aumentar o aluguel.
- Hahaha, só você mesmo Greg. Não vale nada.
Espreguiçou-se (tão linda) e olhou no celular.
- Tá cedo, bora dar umazinha antes de sair?

terça-feira, 11 de julho de 2017

O Agro é pop

 Muito se fala sobre sustentabilidade tanto que, o termo, já é familiar a virtualmente qualquer brasileiro, de Curitiba a Belém, bem como, o desenvolvimento sustentável e sabe-se lá o que esse termo pode implicar.
 Toda a sorte de empresas, prefeituras, autarquias, enxeridos e pesquisadores dão corpo à cantinela: "Devemos crescer sem prejudicar o meio ambiente, crescer sem prejudicar o meio ambiente..." praticamente um mantra.
 Que fique claro que concordo com tudo isso, porém (ah porém), todo esse discurso pau mole esbarra em um empecilho, ao menos a nível de Brasil: O agronegócio.
 (Não quero dar a impressão que seja esse o único problema, mas parece ao menos para mim, o mais gritante).
 Têm-se um sem-número de propagandas e artigos: O agro é pop, gera empregos, vocação agraria do Brasil e por aí vai... Temos até a criação de uma quimera natimorta de nome Ecoagronegocio que não poderia ser mais bizarra. Mas por que? Ora, vamos aos dados:

 A) Efeito Estufa: 73% dos emissores de CO² do Brasil são feitos via desmatamento e qual a principal razão deste? Acertou quem disse Gado.
 Seja para a criação de pasto ou plantio de soja e subsequente feitura de ração. Some-se isto ao fato de serem os gases expelidos pelos bois e vacas mais poluentes que, pasmem, os automóveis.
 E não vemos muitas propagandas incentivando a diminuição da carne pra frear a poluição não é mesmo?

B) Desperdício de Agua: Vivemos um problema de seca em varias regiões do Brasil e caro consumidor, a cartilha é a mesma: feche a torneira, banho mais apurado, não lave calçadas, etc, etc.
 (Que fique claro que isso tudo ajuda) Mas, nunca é dito que 15.400 Litros de água são gastos para processa um mísero quilo de carne, parece um pouco mais preocupante que seu banho demorado não?

C) Ineficiência: Mas, mas, mas, tudo isso é um mal necessário  não é mesmo? precisamos alimentar as criancinhas e blá, blá, blá...
 É... Não.
 Um boi pesa em média 300 quilos, destes, 200 são aproveitados para a alimentação (usa-se pele e ossos para outros fins) ao fim e ao cabo, noves fora, podemos dizer que um boi poderia alimentar 200 famílias em um dia?
 A pecuária brasileira é em sua maioria feita com o boi livre, logo, fazendo uma média básica temos algo em torno de 150 m² usado como pasto para alimentar as tais duzentas famílias. Apenas para efeito de comparação a mesma quantidade de terra se usada para plantar milho produziria XXX e nem é um cultivo dos mais produtivos.
  Ou seja, desmatamos e desperdiçamos muito para produzirmos muito pouco, mas deixei o melhor para o final.

D) Agrotóxicos: O agro negócio é AGRO... eles plantam coisas e tal... Sim, plantam e muito. Plantam tanto que não tem como cuidar de pragas tradicionais  de uma maneira, digamos tradicional. Solução? Despejar venenos cujos efeitos ainda não são totalmente conhecidos para matar as ditas pragas e de fato, elas morrem. Assim como diversos bichinhos muito importantes para a manutenção do ecossistema, contaminam também o lençol freático, o gado que se alimenta dele e você, pobre leitor(a) que se alimenta tanto de um quanto de outro.
 Bem, isto posto, podemos inferir que não se pode falar em desenvolvimento sustentável e defender o agronegócio ao mesmo tempo mas, esse artigo não é de todo apocalíptico. Ofereço soluções:
 Em primeiro lugar, a reforma agraria. A mais liberal das reformas. Aquela que os EUA fizeram a duzentos anos atrás, claro que ela sozinha não resolve.
 O desmatamento cresce num ritmo acelerado mesmo nos assentamentos logo, precisamos também da agroecologia e do vegetarianismo.
 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Depois de um (relativamente pequeno) inverno

Bom gente, fiquei meio sumido nos últimos tempos mas (dessa vez) não foi por preguiça:  meu pc sofreu um tentataiva de afogamento e ficou se recuperando. (ele passa bem mas as letras A,S,Z e W já eram).
Pois bem, chega de lamurias: aqui estou eu com um PC novo pronto para delicia-los com os mais belos escritos que jamais foram produzidos por mim mesmo e, caso alguém pergunte, estive sim escrevendo (não no ritmo que gostaria mas enfim) no caso, a caneta num caderninho porque sim eu me importo muito com vocês.
Ou talvez eu simplesmente goste de escrever, sei lá.
Isto posto, o plano continua o mesmo: Uma crônica, um artigo "serio", um capitulo de novela, um artigo sobre entretenimento, uma crônica... e assim sucessivamente. Nessa ordem, salvo engano. Também estou produzindo um conto que deve ficar pronto até o final do mês, vocês serão os primeiros a saber.
 Um adendo: minha meta era um post por semana e bom, estamos na vigésima sétima semana do ano e meu marcador ainda está em cinco então, tentarei (ui) publicar entre duas a três vezes por semana (pelo menos nas férias) pra compensar o tempo perdido. Então amanhã já tem texto novo, no caso um artigo desses mais sérios.
té mais povo 0/