Gente o blog ta abandonado tem um tempo mas tem um motivo: tive um problema neurologico e estou tomando um remedio fortissimo que entre outros efeitos colaterais tira todo o meu tesão de escrever, até ler ta difcil então, até eu encerrar o tratamento o blog provavelmente vai continuar parado.
MAs normalizando isso voltamos com toda força
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Faca nos dentes
Aos meus fiéis leitores, não me abandonem. Minha vida deu um 180 nos últimos meses e ainda estou me adaptando mas o blog que tanto amo deixará de ser negligenciado e contara com novos quadros:
SEGUNDA - Artigos (politica, sociedade e afins)
TERÇA - Criticas (Filmes, Livros e HQ's)
QUARTA - Crônica
QUINTA - Charge
SEXTA - Novela
Faca nos dentes e bora prosseguir.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Escrevamos, ora!
É dificil escrever. Dificil tirar aquele monte absurdo de palavras da minha mente e por no papel.
As vezes o que eu penso não faz sentido.
As vezes o sentido do que eu penso é tão absurdo que é melhor guardar pra mim.
Na primeira vez que eu perdi a cabeça foi por inocência, eu acho.
Traçando um paralelo de hoje até a mais tenra infância eu sempre vivi mais dentro da minha cabeça do que no mundo real, com as pessoas.
(o que faz com que, até hoje, eu tenha certa dificuldade com elas)
Na minha cabeça podemos dividir três grandes eixos
a) Nostalgia - ficar pensando no que aconteceu e em como deveria ter acontecido
b) Sonho - Ficar imaginando a vida maravilhosa que eu teria se eu fizesse x,y ou z coisas
c) Lisergia - minha preferida, ficar criando realidades paralelas e me perder nelas. Consigo passar horas me imaginando num episodio hipotético de Dragon Ball por exemplo.
Isto posto, gosto de escrever.
Tem um livro que eu estou escrevendo, vai ficar bom. Palavra de escoteiro.
Cronicas, novelas, poemas eu tenho bastante delas aqui na cachola.
Ta ruim escrever mas é o que eu gosto de fazer então,
fazer o que?
As vezes o que eu penso não faz sentido.
As vezes o sentido do que eu penso é tão absurdo que é melhor guardar pra mim.
Na primeira vez que eu perdi a cabeça foi por inocência, eu acho.
Traçando um paralelo de hoje até a mais tenra infância eu sempre vivi mais dentro da minha cabeça do que no mundo real, com as pessoas.
(o que faz com que, até hoje, eu tenha certa dificuldade com elas)
Na minha cabeça podemos dividir três grandes eixos
a) Nostalgia - ficar pensando no que aconteceu e em como deveria ter acontecido
b) Sonho - Ficar imaginando a vida maravilhosa que eu teria se eu fizesse x,y ou z coisas
c) Lisergia - minha preferida, ficar criando realidades paralelas e me perder nelas. Consigo passar horas me imaginando num episodio hipotético de Dragon Ball por exemplo.
Isto posto, gosto de escrever.
Tem um livro que eu estou escrevendo, vai ficar bom. Palavra de escoteiro.
Cronicas, novelas, poemas eu tenho bastante delas aqui na cachola.
Ta ruim escrever mas é o que eu gosto de fazer então,
fazer o que?
interludio
Interrompendo a programação de posts para avisar que serei pai
Voltamos a programação normal
Vicente Antonio o nome ;)
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Sobre crianças, drogas e mochilas.
obs: Este texto carece de rigor acadêmico, tenho a pretensão de me aprofundar sobre o assunto mas enquanto isso, fica meus dois centavos de opinião mesmo.
Comecemos do começo
A imagem choca e o argumento é de que deveríamos nos indignar não com a policia/exercito e sim com os traficantes. Pois bem, todo e qualquer ser humano fica puto e é contra o uso de crianças pelo narcotráfico. Isso é um ponto. Agora o que fazer com esse dado é que reside o xis da questão.
Revistar crianças não resolve o problema. Na melhor das hipóteses a apreensão de um flagrante vai levar um peixe pequeno qualquer pra cadeia. Peixe este que rapidinho vai ser substituido. A questão é um tantinho mais complexa.
A rigor, os militares estão apenas constrangendo uma criança que inclusive pode ficar traumatizada pro resto da vida (é um cara com um fuzil pô! tu tem cinco anos, mesmo que não aja intenção de ameaça na abordagem, o que passa na cabeça da criança é outra parada) tudo isso para enxugar gelo e mais: sabe-se perfeitamente quais são as crianças que serão revistadas não é mesmo?
OK mas e como resolver a questão?
O comercio de drogas existe. Existe porque tem demanda e se tem demanda haverá oferta, essa deve ser a regra mais basica do capitalismo. Ilegal ou legal ele tá lá. Pode chorar, xingar todo mundo de maconheiro safado, apelar pra deus mas o fato é esse. E esse mercado não possui nenhuma regulação. As unicas coisas que impedem o bandido de aliciar uma criança são pura e simplesmente seus escrupulos morais.
Então, meu ponto é: para resolver este problema é nescessaria a regulação deste mercado. Se qualquer pessoa, maior de idade, em pleno gozo de suas faculdades mentais desejar fazer uso recreativo de uma subtancia, o problema é dela. Não é papel do estado infeirir o que você pode ou não ingerir.
Claro, o ministério da saúde tem o dever de de alertar sobre os riscos desta e daquela subtância e possibilitar ao cidadão (que desejar) tratar o seu vicio. Cigarro e Alcool estão aí, substâncias psicoativas danosas que causam dependencia, totalmente reguladas. Fazem mal apenas para quem as consome (Sim, os amigos sofrem, a familia sofre e tal mas não é esse o foco do artigo). Você ao compra-las sabe que elas não foram transportadas em mochilas de crianças e que seu dinheiro, revertido em imposto irá para o estado pro estado fazer as coisinhas que ele faz. Se tu quiser parar, pode ir no A.A ou N.A ou em outras N formas de terapias que existem.
Ou seja, Apenas regulamentando o mercado podemos acompanhar e fiscalizar o processo desde a produção até o consumiro passando obviamente pela distribuição
Comecemos do começo
A imagem choca e o argumento é de que deveríamos nos indignar não com a policia/exercito e sim com os traficantes. Pois bem, todo e qualquer ser humano fica puto e é contra o uso de crianças pelo narcotráfico. Isso é um ponto. Agora o que fazer com esse dado é que reside o xis da questão.
Revistar crianças não resolve o problema. Na melhor das hipóteses a apreensão de um flagrante vai levar um peixe pequeno qualquer pra cadeia. Peixe este que rapidinho vai ser substituido. A questão é um tantinho mais complexa.
A rigor, os militares estão apenas constrangendo uma criança que inclusive pode ficar traumatizada pro resto da vida (é um cara com um fuzil pô! tu tem cinco anos, mesmo que não aja intenção de ameaça na abordagem, o que passa na cabeça da criança é outra parada) tudo isso para enxugar gelo e mais: sabe-se perfeitamente quais são as crianças que serão revistadas não é mesmo?
OK mas e como resolver a questão?
O comercio de drogas existe. Existe porque tem demanda e se tem demanda haverá oferta, essa deve ser a regra mais basica do capitalismo. Ilegal ou legal ele tá lá. Pode chorar, xingar todo mundo de maconheiro safado, apelar pra deus mas o fato é esse. E esse mercado não possui nenhuma regulação. As unicas coisas que impedem o bandido de aliciar uma criança são pura e simplesmente seus escrupulos morais.
Então, meu ponto é: para resolver este problema é nescessaria a regulação deste mercado. Se qualquer pessoa, maior de idade, em pleno gozo de suas faculdades mentais desejar fazer uso recreativo de uma subtancia, o problema é dela. Não é papel do estado infeirir o que você pode ou não ingerir.
Claro, o ministério da saúde tem o dever de de alertar sobre os riscos desta e daquela subtância e possibilitar ao cidadão (que desejar) tratar o seu vicio. Cigarro e Alcool estão aí, substâncias psicoativas danosas que causam dependencia, totalmente reguladas. Fazem mal apenas para quem as consome (Sim, os amigos sofrem, a familia sofre e tal mas não é esse o foco do artigo). Você ao compra-las sabe que elas não foram transportadas em mochilas de crianças e que seu dinheiro, revertido em imposto irá para o estado pro estado fazer as coisinhas que ele faz. Se tu quiser parar, pode ir no A.A ou N.A ou em outras N formas de terapias que existem.
Ou seja, Apenas regulamentando o mercado podemos acompanhar e fiscalizar o processo desde a produção até o consumiro passando obviamente pela distribuição
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Mea Culpa
E o texto de domingo passado? pois é. Ele foi escrito bem bonitinho porém eu fiz o favor de perde-lo, por isso o atraso tão grande. Este terceiro capitulo do Liceu era prá sair só domingo que vem mas enfim, merda acontece.
O cronograma de um texto por semana continua, domingo que vem tem texto novo e este perdido assim que for achado sai como extra.
Por enquanto é só, beijos de luz.
EM TEMPO: estamos em fevereiro e eu já passei (em quantidade) os textos de toooodo 2015 Há!
EM TEMPO: estamos em fevereiro e eu já passei (em quantidade) os textos de toooodo 2015 Há!
LICEU LICOR III - BERNARDO
- Segura um pouco mais. Isso. To quase lá.
Conter o impulso primitivo de levantar a cabeça levou um certo tempo.Engolir aquela porcaria amarga sem vomitar, um pouco mais. A parte de sorrir depois de tudo isso foi fácil afinal o curso de teatro tinha de servir pra alguma coisa.
- Aaaah bom como sempre Arlindo... Agora vai se limpar que a gravação começa em quinze.
- Sim senhor.
- Perdão?
- Ahaam... claro. " Obrigado meu gentil mestre por consentir que esse humilde servo possa usar este corpo indigno para lhe dar prazer. Não consigo expressar em palavras a felicidade que sinto por alguém tão distinto ter me escolhido para este trabalho".
O diretor sorriu. Adorava toda aquela palhaçada. Inclinou-se para Arlindo e deu dois tapinhas suaves em seu rosto.
- Muito bem querido. Aprendeu rápido até.
Só depois de ele ter ido embora é que pôde se levantar. Passou rápido pelo espelho do banheiro. Antes, ele tinha orgulho da sua beleza mas hoje ela lhe causava asco. Logo que conseguiu o papel de protagonista o diretor o chamou para o seu trailer. Ele ainda esboçou resistir.
- Olha, eu não tenho mais idade e muito menos paciência pra esse tipo de merda beleza? Tu acha que dar prum velho escroto que nem eu é degradante demais; Que você nunca se sujeitaria a isso; Que você é um lindo floquinho de neve do nosso senhor Jesus Cristo, foda-se. A porta ta aberta, é só ir embora. Tem uma fila de galãzinho sem talento atrás de mim, hoje mesmo tem alguém no seu lugar.
Arlindo não se moveu.
Tinha vindo de uma familia razoavelmente bem de vida e antes de aprender a andar já fazia comerciais para TV. Daí para pequenas pontas foi quase natural, nada de destaque é claro. Seu primeiro papel valendo era esse, como Bernardo o menino defensor dos frascos e comprimidos cuja merda não fedia.
Licor era laboratorio, em um ano ele caia nas graças do público e era chamado pra uma novela das seis e tava encaminhado, em um ou dez anos tava como galã das nove, o auge. Não perderia esse papel, seguraria com unhas e dentes se necessário.
Banho tomado, dente escovado é hora do show.
Festinha tranquila só com as amizades mais chegadas, papai tinha ido viajar e só voltava na segunda. Por enquanto tudo certo mas será que a Ju vai vir? A mãe dela não tava querendo deixar e ela disse que ia vir escondido. Não dava nem pra disfarçar pra galera que estava tudo em, Carlinhos e Rodrigo podiam ver de longe o que ele estava pensando. Será mesmo que a noite que eu planejei vai dar errado? De repente a porta se abre e ele quase quebra o pescoço de tão rápido que virou.
- Beeeernaaardooo - Juliana já se jogou em seus braços jogando Madá pra escanteio. Ela podia se virar com qualquer um dos garotos de lá.
- Pô gata, tava achando que você nem vinha mais meu
- Que isso como que eu ia perder a festa mais badalada do Liceu em? Mas minha mãe não pode saber, eu falei pra ela que ia dormir na Madá e a Madá disse que ia dormir comigo. Plano perfeito né? nós somos demais.
- Demais mesmo gata agora deixa eu te falar. Você não quer ir lá no meu quarto ver o meu videogame novo?
-Videogame? Huum, sei não em, e deixar minha amiga sozinha?
-Que isso gata. Carlinhos ei! CARLINHOS vem cá pô. Em porque você não da uma atençãozinha ali pra Madá em? Valeeu meu bróder. E ai? Agora ela não ta mais sozinha, que tal?
-Hahaha, ta bom então. Vamos ver esse tal "videogame"
Quando os dois estão subindo as escadas a porta da sala se abre violentamente e Luis, pai de Bernardo surge
- EU POSSO SABER O QUE TA ACONTECENDO AQUI BERNARDO??
-iiih fedeu.
Conter o impulso primitivo de levantar a cabeça levou um certo tempo.Engolir aquela porcaria amarga sem vomitar, um pouco mais. A parte de sorrir depois de tudo isso foi fácil afinal o curso de teatro tinha de servir pra alguma coisa.
- Aaaah bom como sempre Arlindo... Agora vai se limpar que a gravação começa em quinze.
- Sim senhor.
- Perdão?
- Ahaam... claro. " Obrigado meu gentil mestre por consentir que esse humilde servo possa usar este corpo indigno para lhe dar prazer. Não consigo expressar em palavras a felicidade que sinto por alguém tão distinto ter me escolhido para este trabalho".
O diretor sorriu. Adorava toda aquela palhaçada. Inclinou-se para Arlindo e deu dois tapinhas suaves em seu rosto.
- Muito bem querido. Aprendeu rápido até.
Só depois de ele ter ido embora é que pôde se levantar. Passou rápido pelo espelho do banheiro. Antes, ele tinha orgulho da sua beleza mas hoje ela lhe causava asco. Logo que conseguiu o papel de protagonista o diretor o chamou para o seu trailer. Ele ainda esboçou resistir.
- Olha, eu não tenho mais idade e muito menos paciência pra esse tipo de merda beleza? Tu acha que dar prum velho escroto que nem eu é degradante demais; Que você nunca se sujeitaria a isso; Que você é um lindo floquinho de neve do nosso senhor Jesus Cristo, foda-se. A porta ta aberta, é só ir embora. Tem uma fila de galãzinho sem talento atrás de mim, hoje mesmo tem alguém no seu lugar.
Arlindo não se moveu.
Tinha vindo de uma familia razoavelmente bem de vida e antes de aprender a andar já fazia comerciais para TV. Daí para pequenas pontas foi quase natural, nada de destaque é claro. Seu primeiro papel valendo era esse, como Bernardo o menino defensor dos frascos e comprimidos cuja merda não fedia.
Licor era laboratorio, em um ano ele caia nas graças do público e era chamado pra uma novela das seis e tava encaminhado, em um ou dez anos tava como galã das nove, o auge. Não perderia esse papel, seguraria com unhas e dentes se necessário.
Banho tomado, dente escovado é hora do show.
Festinha tranquila só com as amizades mais chegadas, papai tinha ido viajar e só voltava na segunda. Por enquanto tudo certo mas será que a Ju vai vir? A mãe dela não tava querendo deixar e ela disse que ia vir escondido. Não dava nem pra disfarçar pra galera que estava tudo em, Carlinhos e Rodrigo podiam ver de longe o que ele estava pensando. Será mesmo que a noite que eu planejei vai dar errado? De repente a porta se abre e ele quase quebra o pescoço de tão rápido que virou.
- Beeeernaaardooo - Juliana já se jogou em seus braços jogando Madá pra escanteio. Ela podia se virar com qualquer um dos garotos de lá.
- Pô gata, tava achando que você nem vinha mais meu
- Que isso como que eu ia perder a festa mais badalada do Liceu em? Mas minha mãe não pode saber, eu falei pra ela que ia dormir na Madá e a Madá disse que ia dormir comigo. Plano perfeito né? nós somos demais.
- Demais mesmo gata agora deixa eu te falar. Você não quer ir lá no meu quarto ver o meu videogame novo?
-Videogame? Huum, sei não em, e deixar minha amiga sozinha?
-Que isso gata. Carlinhos ei! CARLINHOS vem cá pô. Em porque você não da uma atençãozinha ali pra Madá em? Valeeu meu bróder. E ai? Agora ela não ta mais sozinha, que tal?
-Hahaha, ta bom então. Vamos ver esse tal "videogame"
Quando os dois estão subindo as escadas a porta da sala se abre violentamente e Luis, pai de Bernardo surge
- EU POSSO SABER O QUE TA ACONTECENDO AQUI BERNARDO??
-iiih fedeu.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Lado C
Carlos espreguiçou-se em sua poltrona favorita, a televisão ligada em alguma coisa sem importância. A semana até que correu bem com o trabalho ruim como sempre. Nada anormal, faltavam ainda alguns anos para que pudesse aposentar-se. A casa estava bem mais silenciosa do que o normal, agora que a mais nova estava de castigo e a mais velha ficava como fiel escudeira no quarto.
De todos os trabalhos esse devia ser o mais cansativo, o mais difícil. Era complicado ter de punir uma garotinha que ele viu crescer, segurou no colo, fez vigília quando estava doente... Ter de gritar, bater porta, essas coisas. Ele por ele mesmo, não fazia questão. Ainda mais por uma bobagem como uma nota baixa (física? química?), Carlos em sua época não foi um bom aluno e nem por isso virara má pessoa. Mas como pai tinha a obrigação de sempre exigir o melhor, de fazer o possível e o impossível para que suas meninas se dessem bem. Se para tanto havia de brigar, paciência.
Não chegou a faculdade, infelizmente. Mais por falta de recursos do que por qualquer outra coisa. Como arcar com um curso superior tendo de comprar comida para duas crianças pequenas? Ainda mais depois que Leandra morreu. O sonho de ser engenheiro mecânico quase se realizou, costumava brincar. Só faltou a parte do engenheiro, Besteira pouca.
Não reclamava. As meninas eram o que mais prezava. Davam trabalho claro, que tipo de adolescente não dá? Mas não tinham se metido com droga nem pego barriga de algum marginal. Ajudavam na casa sem que fosse preciso ficar mandando e ainda que não fossem as mais inteligentes, nunca tinham reprovado, tampouco. A mais velha agora iria prestar vestibular (embora não soubesse para o que). Pensar nisto lhe dava um misto de alegria e tristeza. Suas meninas estavam crescendo... Logo, logo sairiam de sua asa pra batalhar neste mundo por si próprias.
Pensava em Leandra, como a vida teria sido se ela ainda estivesse aqui? Concordaria com suas atitudes? Ralharia com ele por não levar as meninas pra missa todo domingo? Dificil dizer. Gostava de pensar que no fim ela teria gostado do resultado final. Não era o melhor pai do mundo, mas dera o seu melhor e elas estavam razoavelmente encaminhadas. A oficina não tinha permitido muito luxo porém elas nunca passaram fome e disso ele muito se orgulhava. Sentia falta da esposa. Uma vez ouviu numa novela quando o outro morre ele cresce na gente, só as partes boas ficam e as ruins vão sumindo... capaz que a gente gosta mais assim longe, do que se a pessoa tivesse perto, na mesmice dois dias com brigas e ciúmes. Tinha sentido. Os dois brigaram claro, variadas vezes por variados motivos e era difícil lembrar disso. Pegava-se pensando no dia do casamento, ou quando as meninas nasceram, em como foram felizes.
Tinha falta de mulher também. Não só o sexo, isso ele resolvia sem muitos problemas, mas faltava alguém pra conversar, pra expôr seus problemas, fraquezas, Ouvir também, dar opinião sobre o dia dela sentar junto na varanda, fazer carinho. Tinha medo. Suas filhas já acostumaram-se com ele sozinho. Outra mulher podia ser vista como uma rival ou pior, um insulto a memória da mãe. Tinha medo até de sugerir isso e se elas resolvessem fugir de casa em protesto? Como se perdoaria?
Não. Ficasse tudo como estava, melhor. E ele também não era tão novo, as rugas começavam a talhar seu rosto, seu cabelo já ia perdendo a cor. Tinha vergonha de tirar a camisa, sua barriga saliente, músculos que deram tanto orgulho agora desmanchando. Era difícil ficar velho.
- Beeep.
O telefone. Aí cacete, o que seria?
- Alô? Policia? Como assim? Não, não deve ser engano minhas meninas estão no quarto... Como? Bruna e Brenda, sim. Silveira da Rosa isso. Cristo, elas estão bem? Claro. Estou indo praí agora.
De todos os trabalhos esse devia ser o mais cansativo, o mais difícil. Era complicado ter de punir uma garotinha que ele viu crescer, segurou no colo, fez vigília quando estava doente... Ter de gritar, bater porta, essas coisas. Ele por ele mesmo, não fazia questão. Ainda mais por uma bobagem como uma nota baixa (física? química?), Carlos em sua época não foi um bom aluno e nem por isso virara má pessoa. Mas como pai tinha a obrigação de sempre exigir o melhor, de fazer o possível e o impossível para que suas meninas se dessem bem. Se para tanto havia de brigar, paciência.
Não chegou a faculdade, infelizmente. Mais por falta de recursos do que por qualquer outra coisa. Como arcar com um curso superior tendo de comprar comida para duas crianças pequenas? Ainda mais depois que Leandra morreu. O sonho de ser engenheiro mecânico quase se realizou, costumava brincar. Só faltou a parte do engenheiro, Besteira pouca.
Não reclamava. As meninas eram o que mais prezava. Davam trabalho claro, que tipo de adolescente não dá? Mas não tinham se metido com droga nem pego barriga de algum marginal. Ajudavam na casa sem que fosse preciso ficar mandando e ainda que não fossem as mais inteligentes, nunca tinham reprovado, tampouco. A mais velha agora iria prestar vestibular (embora não soubesse para o que). Pensar nisto lhe dava um misto de alegria e tristeza. Suas meninas estavam crescendo... Logo, logo sairiam de sua asa pra batalhar neste mundo por si próprias.
Pensava em Leandra, como a vida teria sido se ela ainda estivesse aqui? Concordaria com suas atitudes? Ralharia com ele por não levar as meninas pra missa todo domingo? Dificil dizer. Gostava de pensar que no fim ela teria gostado do resultado final. Não era o melhor pai do mundo, mas dera o seu melhor e elas estavam razoavelmente encaminhadas. A oficina não tinha permitido muito luxo porém elas nunca passaram fome e disso ele muito se orgulhava. Sentia falta da esposa. Uma vez ouviu numa novela quando o outro morre ele cresce na gente, só as partes boas ficam e as ruins vão sumindo... capaz que a gente gosta mais assim longe, do que se a pessoa tivesse perto, na mesmice dois dias com brigas e ciúmes. Tinha sentido. Os dois brigaram claro, variadas vezes por variados motivos e era difícil lembrar disso. Pegava-se pensando no dia do casamento, ou quando as meninas nasceram, em como foram felizes.
Tinha falta de mulher também. Não só o sexo, isso ele resolvia sem muitos problemas, mas faltava alguém pra conversar, pra expôr seus problemas, fraquezas, Ouvir também, dar opinião sobre o dia dela sentar junto na varanda, fazer carinho. Tinha medo. Suas filhas já acostumaram-se com ele sozinho. Outra mulher podia ser vista como uma rival ou pior, um insulto a memória da mãe. Tinha medo até de sugerir isso e se elas resolvessem fugir de casa em protesto? Como se perdoaria?
Não. Ficasse tudo como estava, melhor. E ele também não era tão novo, as rugas começavam a talhar seu rosto, seu cabelo já ia perdendo a cor. Tinha vergonha de tirar a camisa, sua barriga saliente, músculos que deram tanto orgulho agora desmanchando. Era difícil ficar velho.
- Beeep.
O telefone. Aí cacete, o que seria?
- Alô? Policia? Como assim? Não, não deve ser engano minhas meninas estão no quarto... Como? Bruna e Brenda, sim. Silveira da Rosa isso. Cristo, elas estão bem? Claro. Estou indo praí agora.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
C.S.S.C. I
Nada melhor do que o cheiro da fumaça de gasolina. O dia só começa quando ela monta na moto e acelera, unir-se a estrada a 150 Km/h era tão bom que seus mamilos endureciam. Quase uma década e não se cansava, em silencio fazia uma oração a deusa para que nunca se cansasse.
A BR 116 era praticamente uma grande linha reta e nesse horário o transito era escasso. Isso era bom pois a reunião era daquelas importantes, infelizmente. Conhecia bem suas meninas e elas já deviam estar na sede, esperando. Castradoras talvez fosse o moto clube mais pontual do estado, quem sabe do país.
Parou sua moto no Km 18 e desmontou, bem em frente a sua sede. Como esperado, seu séquito já estava lá. Não podia deixar de sorrir ao vê-las na frente desse prédio erguido com tanta luta. Grande, quase quinze metros de frente com uns bons quarenta de fundo, todo preto com uma arquitetura intimidadora que lembrava uma caixa forte. De fora via-se apenas o muro na mesma cor exceto em três pontos: Na esquerda com um metro de diâmetro estava o simbolo do anarco-feminismo, equidistante na direita a gloriosa Maria Bonita, exatamente como em seus coletes e completando, no centro, logo em cima do portão a sigla C.S.S.C tudo em um tom de lilás escuro, quase roxo. Feito os cumprimentos de praxe ela abriu o portão, para que as outras pudessem estacionar no pátio defronte, seguindo a hierarquia e adentrassem na sede propriamente dita.
A sala de reuniões era ampla com uma mesa de quase dois metros de comprimento feita de madeira maciça, com a Maria Bonita entalhada no centro. Sentou´se na cabeceira e aguardou as demais se acomodarem.
- Meninas, vocês sabem porque estão aqui mas temos um protocolo a seguir e Satã me defenda se eu desobedecer as regras com a Liege aqui do meu lado.
- Obrigada.
- De nada meu amor, ser chata é uma qualidade inerente as secretarias e isso você tira de letra. Voltando, ontem minha Sargento me telefonou próximo da meia noite e contou a história que agora irá repassar a vocês, de novo.
Marina se ajeitou melhor na cadeira, passou a mão nos cabelos cacheados e deu um pequeno pigarro. Não era nervosismo mas sim raiva contida. Cada movimento tinha de ser calculado para que não explodisse.
- Caso comum, banal e todo dia é a mesma merda. A menina, que por coincidência estudou comigo no fundamental se chama Ellen. Ela estava voltando pra sua casa no Marco depois da faculdade, isso próximo das dez horas. Desceu do ônibus e foi andando rápido sem falar com ninguém, do ponto até a casa dela deve dar algo em torno de duzentos metros - deu um pequeno suspiro, seus olhos estavam marejados mas nenhuma lágrima ousou cair - Antes da metade do caminho foi abordada pelo merda em questão, com alguma cantada escrota. Ela não respondeu e apertou o passo, não que tenha feito alguma diferença. Foi estuprada quase na porta de casa. Sua mãe que a encontrou e ligou pra mim. Cheguei rapido mas não rápido o suficiente pra achar ele. Levei a coitada pro hospital. Ela já tomou o coquetel de remédios mas seu emocional está um caco, vai levar um tempo até que consiga sair de casa novamente.
- E as informações que conseguiu recolher?
- Pouco e menos ainda. A descrição dada por Ellen não bate com ninguém da nossa ficha, as moradoras não sabem de nada, aquela àrea era considerada relativamente segura afinal eu moro perto.
- A amostra de DNA foi recolhida?
- Presidenta, assim você me ofende.
- Protocolos... Enfim, chega dessa história. Temos outro macho de merda a solta. Suzana e Roberta, vocês vão com a Marina para o bairro do Marco e espalhem que estamos dispostas a pagar por qualquer informação que nos leve até ele. Liege meu amor, você vai com as duas prospectas até a delegacia e recolha quaisquer informações relevantes que por milagre a policia possa ter apurado. As demais vêm comigo, tenho alguns preparativos que precisam ser feitos. A reunião está encerrada - bateu o martelo na mesa - agora é hora da caçada.
A BR 116 era praticamente uma grande linha reta e nesse horário o transito era escasso. Isso era bom pois a reunião era daquelas importantes, infelizmente. Conhecia bem suas meninas e elas já deviam estar na sede, esperando. Castradoras talvez fosse o moto clube mais pontual do estado, quem sabe do país.
Parou sua moto no Km 18 e desmontou, bem em frente a sua sede. Como esperado, seu séquito já estava lá. Não podia deixar de sorrir ao vê-las na frente desse prédio erguido com tanta luta. Grande, quase quinze metros de frente com uns bons quarenta de fundo, todo preto com uma arquitetura intimidadora que lembrava uma caixa forte. De fora via-se apenas o muro na mesma cor exceto em três pontos: Na esquerda com um metro de diâmetro estava o simbolo do anarco-feminismo, equidistante na direita a gloriosa Maria Bonita, exatamente como em seus coletes e completando, no centro, logo em cima do portão a sigla C.S.S.C tudo em um tom de lilás escuro, quase roxo. Feito os cumprimentos de praxe ela abriu o portão, para que as outras pudessem estacionar no pátio defronte, seguindo a hierarquia e adentrassem na sede propriamente dita.
A sala de reuniões era ampla com uma mesa de quase dois metros de comprimento feita de madeira maciça, com a Maria Bonita entalhada no centro. Sentou´se na cabeceira e aguardou as demais se acomodarem.
- Meninas, vocês sabem porque estão aqui mas temos um protocolo a seguir e Satã me defenda se eu desobedecer as regras com a Liege aqui do meu lado.
- Obrigada.
- De nada meu amor, ser chata é uma qualidade inerente as secretarias e isso você tira de letra. Voltando, ontem minha Sargento me telefonou próximo da meia noite e contou a história que agora irá repassar a vocês, de novo.
Marina se ajeitou melhor na cadeira, passou a mão nos cabelos cacheados e deu um pequeno pigarro. Não era nervosismo mas sim raiva contida. Cada movimento tinha de ser calculado para que não explodisse.
- Caso comum, banal e todo dia é a mesma merda. A menina, que por coincidência estudou comigo no fundamental se chama Ellen. Ela estava voltando pra sua casa no Marco depois da faculdade, isso próximo das dez horas. Desceu do ônibus e foi andando rápido sem falar com ninguém, do ponto até a casa dela deve dar algo em torno de duzentos metros - deu um pequeno suspiro, seus olhos estavam marejados mas nenhuma lágrima ousou cair - Antes da metade do caminho foi abordada pelo merda em questão, com alguma cantada escrota. Ela não respondeu e apertou o passo, não que tenha feito alguma diferença. Foi estuprada quase na porta de casa. Sua mãe que a encontrou e ligou pra mim. Cheguei rapido mas não rápido o suficiente pra achar ele. Levei a coitada pro hospital. Ela já tomou o coquetel de remédios mas seu emocional está um caco, vai levar um tempo até que consiga sair de casa novamente.
- E as informações que conseguiu recolher?
- Pouco e menos ainda. A descrição dada por Ellen não bate com ninguém da nossa ficha, as moradoras não sabem de nada, aquela àrea era considerada relativamente segura afinal eu moro perto.
- A amostra de DNA foi recolhida?
- Presidenta, assim você me ofende.
- Protocolos... Enfim, chega dessa história. Temos outro macho de merda a solta. Suzana e Roberta, vocês vão com a Marina para o bairro do Marco e espalhem que estamos dispostas a pagar por qualquer informação que nos leve até ele. Liege meu amor, você vai com as duas prospectas até a delegacia e recolha quaisquer informações relevantes que por milagre a policia possa ter apurado. As demais vêm comigo, tenho alguns preparativos que precisam ser feitos. A reunião está encerrada - bateu o martelo na mesa - agora é hora da caçada.
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Vinte e Cinco
Muito tempo já passou, muita coisa já aconteceu e égua eu estou chegando a um quarto de século. Não foram só vitórias mas também não foram só derrotas. Tive meus problemas amorosos mas também fiz uns aí felizes (eu acho). Me envolvi com drogas, quebrei um apê, dormi na rua, tive depressão. Mas também saí de casa aos dezoito, tive dois empregos, montei uma banda que ensaiou quase cinco vezes. Entrei na faculdade de Direito (foi, de um modo geral, uma merda e sai com o rabo entre as pernas) entrei na faculdade de história e, bom estamos aí até agora não larguei. Comecei a treinar Karatê parei na faixa azul agora voltei e estou na faixa verde então considero um avanço. To trabalhando e fazendo Yoga. Tenho um carro e já não bato tanto ele. Ainda gasto a maior parte do que eu ganho com livros e quadrinhos mas, convenhamos, existem vícios piores. Tenho oito tatuagens e adoro cada uma delas e quando a situação melhorar vou fazer mais oito.
Voltei ainda a pouco de uma trip de carro com um dos meus melhores amigos (foram 2.008 Km pra ir 2.008 pra voltar) indo pra Aracaju encontrar outra grande amiga. Quebramos o carro duas vezes, quase morremos (umas três vezes) conhecemos uma porrada de gente legal e eu acho que essa viagem me mudou, mal posso esperar pela proxima.
Tem um livro que eu to escrevendo faz uns dez anos e vou terminar ele.
Tem um disco que estou compondo faz uns dez anos e vou terminar ele.
Tem uma vida que eu estou sonhando faz uns vinte anos e agora é hora de botar pra fuder
Ah sim,
Tem uma esse blog semi-abandonado que agora vai voltar.
Domingo é dia de post. Até lá, meus amores.
Voltei ainda a pouco de uma trip de carro com um dos meus melhores amigos (foram 2.008 Km pra ir 2.008 pra voltar) indo pra Aracaju encontrar outra grande amiga. Quebramos o carro duas vezes, quase morremos (umas três vezes) conhecemos uma porrada de gente legal e eu acho que essa viagem me mudou, mal posso esperar pela proxima.
Tem um livro que eu to escrevendo faz uns dez anos e vou terminar ele.
Tem um disco que estou compondo faz uns dez anos e vou terminar ele.
Tem uma vida que eu estou sonhando faz uns vinte anos e agora é hora de botar pra fuder
Ah sim,
Tem uma esse blog semi-abandonado que agora vai voltar.
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