A BR 116 era praticamente uma grande linha reta e nesse horário o transito era escasso. Isso era bom pois a reunião era daquelas importantes, infelizmente. Conhecia bem suas meninas e elas já deviam estar na sede, esperando. Castradoras talvez fosse o moto clube mais pontual do estado, quem sabe do país.
Parou sua moto no Km 18 e desmontou, bem em frente a sua sede. Como esperado, seu séquito já estava lá. Não podia deixar de sorrir ao vê-las na frente desse prédio erguido com tanta luta. Grande, quase quinze metros de frente com uns bons quarenta de fundo, todo preto com uma arquitetura intimidadora que lembrava uma caixa forte. De fora via-se apenas o muro na mesma cor exceto em três pontos: Na esquerda com um metro de diâmetro estava o simbolo do anarco-feminismo, equidistante na direita a gloriosa Maria Bonita, exatamente como em seus coletes e completando, no centro, logo em cima do portão a sigla C.S.S.C tudo em um tom de lilás escuro, quase roxo. Feito os cumprimentos de praxe ela abriu o portão, para que as outras pudessem estacionar no pátio defronte, seguindo a hierarquia e adentrassem na sede propriamente dita.
A sala de reuniões era ampla com uma mesa de quase dois metros de comprimento feita de madeira maciça, com a Maria Bonita entalhada no centro. Sentou´se na cabeceira e aguardou as demais se acomodarem.
- Meninas, vocês sabem porque estão aqui mas temos um protocolo a seguir e Satã me defenda se eu desobedecer as regras com a Liege aqui do meu lado.
- Obrigada.
- De nada meu amor, ser chata é uma qualidade inerente as secretarias e isso você tira de letra. Voltando, ontem minha Sargento me telefonou próximo da meia noite e contou a história que agora irá repassar a vocês, de novo.
Marina se ajeitou melhor na cadeira, passou a mão nos cabelos cacheados e deu um pequeno pigarro. Não era nervosismo mas sim raiva contida. Cada movimento tinha de ser calculado para que não explodisse.
- Caso comum, banal e todo dia é a mesma merda. A menina, que por coincidência estudou comigo no fundamental se chama Ellen. Ela estava voltando pra sua casa no Marco depois da faculdade, isso próximo das dez horas. Desceu do ônibus e foi andando rápido sem falar com ninguém, do ponto até a casa dela deve dar algo em torno de duzentos metros - deu um pequeno suspiro, seus olhos estavam marejados mas nenhuma lágrima ousou cair - Antes da metade do caminho foi abordada pelo merda em questão, com alguma cantada escrota. Ela não respondeu e apertou o passo, não que tenha feito alguma diferença. Foi estuprada quase na porta de casa. Sua mãe que a encontrou e ligou pra mim. Cheguei rapido mas não rápido o suficiente pra achar ele. Levei a coitada pro hospital. Ela já tomou o coquetel de remédios mas seu emocional está um caco, vai levar um tempo até que consiga sair de casa novamente.
- E as informações que conseguiu recolher?
- Pouco e menos ainda. A descrição dada por Ellen não bate com ninguém da nossa ficha, as moradoras não sabem de nada, aquela àrea era considerada relativamente segura afinal eu moro perto.
- A amostra de DNA foi recolhida?
- Presidenta, assim você me ofende.
- Protocolos... Enfim, chega dessa história. Temos outro macho de merda a solta. Suzana e Roberta, vocês vão com a Marina para o bairro do Marco e espalhem que estamos dispostas a pagar por qualquer informação que nos leve até ele. Liege meu amor, você vai com as duas prospectas até a delegacia e recolha quaisquer informações relevantes que por milagre a policia possa ter apurado. As demais vêm comigo, tenho alguns preparativos que precisam ser feitos. A reunião está encerrada - bateu o martelo na mesa - agora é hora da caçada.
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