A
história é imortal. Mesmo após todos os conflitos e perturbações que sucederam
a queda do império romano ocidental e a conseqüente perda de “interesse” da
sociedade européia pelo passado, a história continuou viva nos costumes,
tradições e nas técnicas.
Isto posto, é engano pensar que não houve, no
medievo, nenhuma pesquisa ou preservação de dados históricos. A igreja católica
manteve diversos escritos romanos por meio de seus monges copistas e produziu
intelectuais de suma importância como Santo Agostinho e Tomás de Aquino que bebiam
da filosofia Greco-romana. Obviamente, estes textos em latim, além de
suprimirem partes que pudessem vir a ser tomadas como heréticas não eram facilmente
acessíveis para a polução não clerical. Não deve ser descartada também a
importância do Império Bizântino em preservar diversos documentos em grego bem
como dos povos árabes sem os quais inúmeros filósofos jamais teriam chego até
nós.
Porém, ainda que houvesse esta “subsistência
histórica” ela convalescia, sobretudo na Europa. Monumentos históricos eram
tidos apenas como parte da paisagem ou fonte de matéria prima para novas
construções. A doutrina cristã que era então virtualmente incontestável, trazia
uma sensação de imutabilidade do tempo e das coisas que pode ser facilmente
observada nas representações de acontecimentos antigos (sobretudo bíblicos) em
que, por mais que os atores estivessem deslocados temporal e geograficamente
eram mostrados nos trajes e costumes medievais.
A
mudança paradigmática só veio ocorrer no séc XII, no chamado renascimento. Aonde
a busca por um conhecimento não conspurcado pela igreja pôs o período anterior
a ela em foco. Autores foram reeditados e voltaram a influenciar mentes na
Europa. Não é errôneo pensar que filósofos renascentistas que hoje formam o
pensamento ocidental não teriam o mesmo êxito sem os antigos. Infelizmente, esta
pesquisa e análise da antiguidade gerou-se a falsa impressão que o período
imediatamente anterior foi puramente anti-intelectual e obscuro, o termo “idade
das trevas” veio dessa época e mesmo nos dias de hoje ainda encontra eco.
Não devemos supor que uma historiografia
surgiu do renascimento como num passe de mágica. O profundo respeito pelos
textos em grego e latim, bem como pelas sagradas escrituras impossibilitavam
uma visão crítica dos documentos apresentados gerando o conceito de que a fonte
contêm a verdade absoluta e de que a história é feita apenas por grandes
figuras o que não poderia ser mais errôneo.
Um produção historiográfica mais acurada só
viria a ocorrer séculos mais tarde no iluminismo e mesmo esta carecia do rigor
hoje imprescindível para a produção de qualquer texto histórico, o anacronismo era
freqüente, sobretudo pela busca européia de encontrar no passado as bases de
sua formação nacional, porém ainda que com estas falhas tais textos não devem
ser descartados visto que demonstram o estudo mais preciso que se poderia ter
naquelas circustâncias
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